19 julho 2013

E quem quiser que conte outra...


Chega uma hora que a brincadeira perde a graça, o riso some e o palhaço para de merecer o perdão. Nessas horas, você começa a recolher a suas lágrimas derramadas acreditando que havia cura para o tal vício da mentira.  Procura os sorrisos mais abertos e livres que você já deu, muito antes mesmo de esbarrar nesse circo todo que virou a sua vida.

O Palhaço fica de fora assistindo a tudo, duvidando de cada passo seu, tentando te fazer vacilar, cair e mais uma vez voltar para a jaula do leão onde o domador te espera sorrindo, com um beijo nos lábios e uma punhalada nas costas. Você pondera, olha para o leão, triste, engaiolado, se ele pudesse gritaria para você fugir, afinal são anos também sendo enganado, vivendo uma coisa que não é. Sendo forte por aparência, e covarde por misericórdia.

O circo faliu e ele tinha tudo para dar certo se as coisas tivessem seguido da forma mais honesta possível. Você se levanta, o palhaço engole o riso. Seu passo cessa e ele agora tem medo. Você se vira, se despede das paredes que um dia já foram coloridas e do chão pisado tantas vezes por esses pés tão cansados. Promete não olhar para trás. Você não vai voltar.

O riso acabou, a cortina se fechou, o show perdeu o brilho. Silêncio total no picadeiro, só é possível escutar a tristeza do palhaço, que agora chora, pois seu nariz vermelho acabou de ir embora.

Tassya B.



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