24 maio 2011

Sem rumo, sem intenção.




"A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde." (André Maurois)


Quem me conhece sabe que literatura é meu forte. Independente de qual lado eu me encontre, seja como leitora ou escritora.
Porém, preciso confessar que me considero muito melhor como leitora. Adoro ler e me perder nas páginas de um livro. Tornou-se um vício!
Não posso visitar livrarias que tenho que sair com pelo menos um livro dentro da sacola, além de carregar no rosto um sorriso quase infantil.

Os sintomas desse vício literário são tão graves, que eu acabo me tornando intima dos personagens. Então, não se surpreenda se me pegar rindo, chorando ou completamente desligada do mundo ao redor enquanto estou lendo. Consigo me desprender de qualquer coisa quando estou mergulhada em páginas e letras impressas. Ao ler um livro, eu me liberto de preconceitos e “achismos”, permitindo-me conhecer e explorar um mundo que só pertencia, até então, na mente de outra pessoa: O escritor!
Vai ver esse é o verdadeiro significado da literatura, fazer com que o leitor conheça estórias que somente a sua imaginação pode criar.
Toda essa liberdade me fascina!

Precisamos desmitificar a ideia que um livro é somente um amontoado de papéis.
Quando tenho um novo livro em mãos, sigo um ritual quase exagerado. Gosto de analisar a capa, pois ela me permite uma leitura prévia de tudo que será apresentado. Leio o título, a descrição do autor, a sinopse... Ok, eu sei. Parece loucura, mas não é! O nome disso é paixão.
Amo me encolher entre travesseiros e lençóis acompanhada de um livro recheado de emoções. A imaginação não tem limites!

Caso você seja louca como eu, irá entender o seguinte ponto de vista: Nenhum filme nunca conseguirá ser fiel e encantador, quanto o livro do qual a história foi adaptada.
Sério, já tentei assistir vários filmes que traziam a história do livro para as telas e detestei!
Acho fundamental que a pessoa leia o livro antes de assistir o filme. Assim, poderá criar em sua mente todo o cenário, os personagens e conhecer a estória completa, sem edições. Conhecerá a estória da forma que o autor quis apresentar-lhe, sem intervenções.
Talvez seja por isso, que também adoro escrever. É a mágica de viver outras vidas e conhecer outros lugares, sem ao menos sair do lugar.

Quero agradecer imensamente cada pessoa que visita esse meu espaço e se permite guiar através da minha imaginação. Obrigada pelo carinho e respeito!
Para uma leitora metida à escritora, 1000 visitas é um grande número alcançado.

Beijos e deixem-se guiar...

Tassya.

20 maio 2011

Perfeitos Estranhos



Vocês se conhecem, ficam juntos, se apaixonam, decidem namorar e por algum motivo que não vem ao caso agora, o amor acaba.

Na verdade, nem sempre que um relacionamento chega ao fim, significa que o amor acabou. Pelo contrário, às vezes é exatamente com o fim de um relacionamento que você percebe o quanto, verdadeiramente, ama aquela pessoa. Porém, um relacionamento não é construído somente por momentos bons e por mais que você goste dele, o fim do relacionamento é inevitável.

Independente do tempo que ficaram juntos, todo casal cria um grau de intimidade que se torna a identidade deles. Um relacionamento jamais será igual ao anterior, pois se trata de outra pessoa construindo uma nova história com você.
Os apelidos, as brincadeiras, os carinhos, os lugares preferidos, os passeios, as famílias, e até mesmo os amigos, são diferentes de alguma forma. Tudo é construído a partir das características que cada um acrescenta ao relacionamento. As experiências são vividas de acordo com a maturidade do casal e compatível com o momento de suas vidas.
 Afinal, não adianta querer um namoro de adolescentes no colegial, quando se tem mais de 20 anos de idade, um monte de responsabilidades e compromissos que a vida de adulto impõe diariamente. Por esse motivo, não se iludam! Ninguém continua da mesma forma depois que um relacionamento termina. A bagagem é grande e pesada, é necessário se fortalecer para poder carregá-la.

Tanto blábláblá só para dizer que é super normal você reparar que seu ex está “diferente”.
A música que ele odiava, agora é ouvida no volume máximo dentro do carro. O show que você era doida para ir e ele barrava, agora depois de solteiro, está comprado desde o inicio da divulgação. Detalhe: O camarote!
Você ficou sabendo que ele passou a comer comida japonesa, assistir a filmes românticos com uma piriguete qualquer, ir à boate justamente na noite que o DJ só toca funk e para completar, ele ainda dançava a noite inteira descendo até o chão.
Filho da mãe!!!
Se fosse só isso, ok! Porém, o dito cujo mudou o estilo de se vestir, passou a andar esquisito e a última vez que você falou com ele, por acaso, sem querer, nada planejado, até a voz dele estava mudada.

Pois é, um completo estranho. Você ainda se pergunta o que te deu na cabeça para se interessar por ele! Você ainda se pergunta o que te faz ainda gostar dele!
Bom, não existe fórmula pronta para o esquecimento. Tipo: tomou, passou!
Até porque se você ficar pensando nisso, estará pensando nele e de certa forma alimentando esse amor bandido que ainda carrega no peito.

Eu sugiro mudanças... Simples assim!!!
Porém é necessário coragem, um pouco de dinheiro e amigas solteiras animadas para fechar o pacote.
Compre roupas novas, mude o visual, saia de casa nem que seja para ir à casa da sua amiga comer brigadeiro de panela e assistir “Ghost - Do outro lada da vida”. Vá a festas, shows e micaretas somente para se divertir. Nada de sair querendo ficar com qualquer um! Valoriza-se. Passe a se conhecer melhor e conhecer mais pessoas. Aumente o círculo de amizades, conheça novos lugares, aprenda a fazer alguma coisa que sempre teve curiosidade. Estude mais, trabalhe mais e cuide mais de você!

Você pode até não reconhecer o carinha que até um tempo atrás vivia lado-a-lado com você. Mas quem disse que você quer continuar levando a mesma vidinha?
Sem contar que vai ser maravilhoso, assistir de camarote a reação dele quando te encontrar. Duvido que ele não vá ficar curioso para conhecer a “nova você”!

Tassya.

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Gente, caso queiram mandar sugestões, elogios ou críticas, enviem um e-mail para: tassya.bastos@gmail.com. Estarei lendo e respondendo.
Obrigada pela visita! ;)


Tenham um ótimo final de semana!

19 maio 2011

Amiga da Noiva



Qual mulher não sonha em se casar?

Um vestido branco, tratamento especial digna de princesa, todas as atenções voltadas para ela e um homem apaixonado com cara de bobo esperando no altar.

Seria lindo e perfeito se tudo se resumisse nas duas linhas escritas acima. O que poucas sonhadoras sabem, é que casar é difícil pra caramba. Um tiro no escuro! Nunca casei, nunca fui noiva, nunca planejei um casamento. Porém, já participei dos preparativos de pelo menos três, a parte mais complexa e desgastante de todo o evento. Fui convidada para ser madrinha, mas não me colocava em um pedestal, eu fazia (e faço) questão de descer do salto e colocar a mão na massa... Literalmente!

Já ajudei a escolher o vestido certo que valoriza-se a noiva faltando somente duas semanas para o casamento. Já participei do orçamento, das contas e cuidei até da agenda de pelo menos duas noivas. Ajudei na confecção das lembrancinhas, dos docinhos e até dos bem-casados (eu disse que colocava a mão na massa). Já escrevi em convites e dei ideias que pudessem ajudar na hora da escolha da decoração. Maquiei a noiva no dia do seu casamento. Sem contar as inúmeras noites em claro que passei tentando resolver a disposição das mesas, conferindo a lista de convidados/convites entregues e escutando o desabafo desesperados das minhas amigas noivinhas.

O melhor de tudo é participar de um sonho que não é meu. É poder ajudar na hora de realiza-lo, fazendo com que elas curtam o momento, fiquem calmas e até se divirtam! É poder hoje olhar para trás e perceber que na época eu aprendi muito com elas, mas também ensinei. É um laço de amizade que só cresce e fica mais forte. É ter a certeza que participei de verdade de um momento especial de suas vidas, que fui muito além de amiga/madrinha, eu fui companheira e irmã.

A emoção de assistir a entrada delas na Igreja é inexplicável. É um orgulho tão grande que o coração parece que faz parte da orquestra. É olhar nos olhos de cada uma, enquanto passam lindas e majestosas pelo tapete que as conduzem para uma nova realidade, e enxergar neles o agradecimento e a cumplicidade!

Para realizar esse sonho elas precisaram correr contra o tempo, suar a camisa, pesquisar preços, organizar o dia, cuidar da pele e do corpo, pensar na casa que tem que ficar pelo menos habitável, se despedir da casa que foi só sua e dar boas-vindas para a nova vida que se inicia. Tudo isso é muito cansativo e desgastante... E sinceramente, não sei se quero me casar tão cedo, pois fui conhecendo a realidade por trás do sonho. Porém, fiquem tranquilas, o sonho ainda vive aqui dentro de mim e um dia também desfilarei pelo tapete e como presente de casamento quero encontrar todas me esperando lindas no altar.

Tenho imenso orgulho de ser amiga e madrinha das mulheres mais espetaculares que já me foram apresentadas. Faço votos de eterna felicidade e prosperidade!
Saibam que se um dia precisarem de uma madrinha que saiba trocar fraldas, fazer mamadeiras e colocar para dormir, também estarei a disposição dos filhotes de vocês.

Amo muito cada uma!
Para as afilhadas presentes e futuras.

Tassya.

18 maio 2011




Nada é para sempre... (Continuação)


Quando você o conheceu achou interessante o cabelo bagunçado, a mania de chicletes e a forma como ele dirigia o carro, sempre parecendo estar nas gravações de “Velozes e Furiosos”. Ele fazia todo mundo rir e parecia conhecer todo mundo. Levava você para todos os lugares e você adorava se sentir parte daquilo... Parte do dia dele.
De repente ele não era somente uma companhia agradável, ele havia se tornado o motivo pelo qual qualquer programa feito em sua presença se tornava o melhor. Era maravilhoso andar do lado dele, pois não havia um só momento que ele a soltava. Não eram necessárias palavras, com o olhar ele entendia o que você queria.
Ele ligava no meio da semana e no meio do dia também. Dava um jeito de se manter presente em qualquer coisa que você pudesse ter acesso. As conversas no MSN eram frequentes e ele parecia só ter atenção para você, no celular as ligações não tinham tempo determinado para acabar e quando você achava que nada mais podia surpreendê-la, ele arrumava um jeito de inventar!

Como mágica o príncipe resolveu virar sapo.

Você não consegue explicar em qual momento percebeu que mudanças haviam acontecido, mas classifica-las parecia ter se tornado seu “hobby” preferido, pois as citava com uma clareza incrível. Não havia mais romance e nem atenção exclusiva. Ele achava normal te excluir de programas que incluíam os amigos, não ligava para dizer que estava indo se “distrair”, e simplesmente agia como seu melhor amigo quando estava com a turma junto. Por outro lado, ele cobrava que você continuasse a mesma garota do inicio do namoro. Entretanto, você já havia se cansado de falar e reclamar. O melhor a fazer foi ignorar e praticar o desapego.

Parece fácil delimitar emoções, porém quando o sentimento é forte é quase impossível fazê-lo. Você tenta passar por cima dos erros, dos defeitos e das várias tentativas de irritá-la.
Consegue contar detalhadamente os diversos furos e mancadas que ele cometeu. Como no seu aniversário. A galera reunida na praia, em pleno verão, tentando improvisar um luau e o louco desiquilibrado do seu namorado, só se lembrava de que tinha álcool e o restante da turma pra fazer a festa, pois nem se lembrou de que era o seu aniversário. Complicado mesmo foi engolir o bêbado tentando te fazer sorrir, levando a crer que a chata e inconveniente naquele momento era você. Se você pudesse voltar no tempo deixava o cretino passando mal sozinho a noite toda...

Hoje, um ano depois, o aniversário de namoro de vocês chegou.
Como era de se esperar ele não se lembrou. Te ligou quase em cima da hora, avisando para você se arrumar pois iriam a uma festa. Você desliga o telefone com uma lágrima presa na garganta, mas se recusa chorar. Se arruma, coloca o perfume que mais gosta e faz uma maquiagem que te faz sentir saudades da época de solteira.
Ele para variar chega atrasado, para o carro e buzina... Antigamente ele descia do carro e te esperava em pé no portão, sempre com um elogio pronto na ponta da língua.
Você entra no carro, cumprimenta com um selinho e repleta de esperança no coração espera que ele se lembre do dia de hoje. Sim, ele lembrou!

- Parabéns!
- Oi?
- Ué? Hoje não é o dia do nosso aniversário de namoro?
- Sim!
- Então... Parabéns!
- Parabéns...
Foi assim, com esse diálogo que aconteceu a cena mais romântica da noite.

Depois foi fácil virar para o lado da janela e começar a contar até um milhão, torcendo para que nenhuma lágrima descesse e que o imbecil do seu lado tivesse uma concussão. Durante todo o trajeto ele continuou o seu antigo repertório de gracinhas e piadinhas, colocou uma música para não ser obrigado puxar assunto e etc.
Na festa, como já era padrão, ele preferia ficar do lado dos amigos, confraternizar com as outras meninas e de vez em quando olhar na sua direção. Você, também não ficava atrás, já havia se adaptado as novas condições e há algum tempo tinha aprendido a se divertir sozinha... Não contava mais com a presença dele para tentar te fazer sorrir. A sua felicidade voltava a ser responsabilidade somente sua. Como sempre deveria ter sido!

Naquela noite ele havia tomado uma decisão. Chamou para ir embora mais cedo e ainda sóbrio, o que te assustou um pouco. Manteve-se calado e em silêncio durante todo o caminho de volta para casa. Você tentava aliviar o clima dentro do carro, mas percebeu que nada adiantaria. Portanto, preferiu manter-se concentrada a não chorar ou lamentar. Os olhos dele vez ou outra procurava por uma reação sua, mas nada no mundo iria fazer com que você fraquejasse.
Ele terminou de maneira fria e definitiva. Você não ousou tentar fazê-lo mudar de ideia, porém há muito tempo tinha abandonado a armadura e agora chorava silenciosamente dentro do carro.

Ao invés de palavras, você fixou o olhar naquele rapaz que um dia te fez acreditar em milagres, no improvável e no irreal. Com um vazio concreto no coração, você desceu do carro, se despedindo do sonho. Mas com o peito cheio de paz, você sabia que agora ia começar a viver realidade que sempre desejou.


Tassya.

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Oi gente! Bom, é importante ressaltar que não tomei partido de nenhum lado, apenas transferi para o texto as versões que me foram contadas. Aproveito para informar que teremos “Cenas dos próximos capítulos”!
Beijo.

17 maio 2011




Nada é para sempre...


No começo ela é interessante, sensual e flexível. Você se surpreende em perceber que novamente está pensando em alguém, e fica impressionado quando sente saudades por apenas estarem alguns dias sem se ver. Ela telefona algumas vezes ao dia e isso não te incomoda, ao contrário, você também fica com vontade de ligar toda vez que pensa nela. Não existe programa entediante, cansativo ou desagradável, qualquer coisa que você sugerir, com certeza ela irá aceitar no ato! Ela é engraçada sem ser inconveniente, se veste adequadamente e o jeito que ela dança te deixa hipnotizado. O sorriso é sempre espontâneo e você não se recorda de ter escutado nenhuma gargalhada tão contagiante como a dela antes na vida. O modo como ela canta as músicas e olha para fora da janela do carro te faz crer que realmente aquela garota não existe.

Alguns meses se passam e você já está se perguntando por que resolveu oficializar o relacionamento. O verão está bombando, os amigos solteiros cheios de planos e você tendo que compatibilizar os finais de semana com a agenda dela. Você está doido pra encher a cara, correr feito doido na areia da praia e de quebra mergulhar de ponta no mar. Porém ela está regulando o álcool, controlando seus passos e perguntando a que horas a festa vai terminar. Você observa as outras meninas em volta e percebe que poderia estar mais bem acompanhado. Tenta arrancar sorrisos e salvar a noite, mas ela parece estar determinada a ficar emburrada e quem sabe até chorar. O grande problema é que você ainda gosta dela, por isso abraça forte a menina que antes era a melhor companheira do mundo e resolve, internamente, desculpá-la mais uma vez. Só mais essa vez...

Há um ano ela estaria falando alto dentro do carro, a mão dela estaria na sua coxa, os olhos não precisavam dos lábios para sorrir e o destino pouco importava, pois ela valorizada cada instante ao seu lado. Porém, hoje ela está sentada virada para a janela, com uma atenção muda e uma expressão vazia. Totalmente reclusa e indiferente a sua presença. Você tenta puxar conversa, mas ela está monossilábica e não demonstra nenhuma possibilidade de mudança. A sua vontade é dar meia volta e deixa-la em casa, mas você já sabe que ao fazer isso ela vai resolver falar e a noite com certeza vai acabar em discussão e brigas. O melhor então é ignorá-la e pensar na noite maravilhosa que você vai ter com o resto da turma.

Tudo parece no lugar quando ela não está ao seu lado, até ela parece agir da maneira com há qual um dia você foi apresentado a ela. De longe você percebe que ela sorri, canta, dança, mas se você é pego observando, ela dá um jeito de mudar a postura do corpo, esconder o sorriso e discretamente ficar de lado para você.

O que você fez de errado? O que aconteceu para dar errado? Cadê a garota que um dia você julgou ser a dos seus sonhos? A única coisa que você enxerga hoje é uma menina fresca, mimada, irritada, ciumenta, inconveniente, triste... Cadê os elogios? Cadê os pontos positivos?

Você decide chama-la para ir embora, a festa ainda está boa, a bebida tá rolando solta, mas é preciso acabar com isso logo. Ela te olha diferente como quem pressente que algo está para acontecer e dessa vez, definitivo! Vocês se dão as mãos, se despendem do pessoal e seguem calados para o carro. Durante todo o trajeto você deixa o silêncio dominar, tomar conta, nada de música alta pra aliviar o ambiente. Ela arrisca uns olhares para você, até comenta sobre a festa, mas desta vez quem não quer conversa é você.

O carro parece andar sozinho, como se já soubesse o caminho. Tudo tão normal, tudo tão superficial e rotineiro. E você que sempre achou que dessa vez a rotina não iria ser desculpa e nem motivo...

Agora é você que arrisca um olhar para ela, e percebe que ela está chorando ou quase. Prefere não comentar e nem consolar, o melhor ainda está por vir! A casa dela está logo em frente, mas você decide parar debaixo da árvore que um dia camuflou as madrugadas quentes dos dois. Desliga o carro e se vira para a menina que um dia sorria sapeca e pulava no seu colo. O silêncio continua e os olhares se prendem. Não existe paixão, somente tristeza.

Como começar?
- A culpa é minha...
- A culpa é sua...
- Nos erramos...
- Podia ter sido diferente...
Não importa como comece, a forma como irá terminar já está resolvido.

Ela desce do carro chorando e você vai embora com o rádio ligado. Não importa quem ela foi ou quem se tornou, você sabe que acabou de deixar para trás aquela que poderia ter sido...



Tassya.

Ps.: Texto inspirado na versão de um amigo sobre o término de seu namoro de 3 anos. No próximo post, teremos a versão da ex namorada. ;)

05 maio 2011


“Nenhuma pessoa é lugar de repouso”

Um tempo atrás era mais simples escrever. As frases vinham prontas e soltas, eu só precisava ter paciência para acompanhar a velocidade com as quais elas surgiam e se reinventavam. As coisas hoje estão diferentes. Inspiração não me falta, o que não sobra é paciência.
Porém, eu gosto de contrariar, gosto de perturbar meu psicológico fazendo com que ele trabalhe contra e a favor de si próprio. Pode soar maluco ou esquisito, mas é um exercício de auto paciência. Afinal de contas, quantas vezes você não sentiu uma vontade incontrolável de se atormentar? Se é que não o fez! É quase como brincar de pique esconde sozinho, pode parecer vazio e entediante, mas não é.

Lendo e refletindo sobre a frase de Nei Duclós, percebi que em vários momentos de nossas vidas nos transformamos em “casas de repouso” para as outras pessoas e nós mesmos.
Triste pensar assim ou chegar a essa conclusão, mas reflita: Quantas vezes você não sentiu que determinada pessoa só estava ao seu lado porque você transmitia tranquilidade, harmonia e disponibilidade? Quantas vezes você recusou novos desafios porque já estava acostumado com o ritmo diário?

Quando você limita seu mundo, você limita as possibilidades de ser feliz de verdade. Não são necessárias mudanças drásticas e precipitadas, basta simplesmente começar quebrando a rotina. Faça isso sozinho, ou com mais pessoas. Mude o jeito de arrumar o cabelo e tente evitar manias. Torna-se uma pessoa ocupada, quem quiser sua companhia vai precisar avisar com antecedência, pois seu lugar não será mais trancado dentro de um quarto com a TV ligada. Escute novos estilos de música, assista a filmes que façam seu coração acelerar sem que no final você se sinta carente e deprimido. Dance! Dance de deixar o corpo molhado e os cabelos encharcados de suor. Estude sobre tudo que lhe desperte curiosidade, leia qualquer coisa que atraia seus olhos para si.
Aprenda a ser interessante. Aceite ser diferente.


Eu poderia até me transformar em um lugar de repouso, mas as pessoas teriam que se acomodar no infinito labirinto de cômodos e instalações que existiria... Ah, sem dúvidas que no centro eu estaria!

Tassya.