08 novembro 2011




Você é os brinquedos que brincou, as gírias que usava.Você é os nervos a flor da pele no vestibular, os segredos que guardou. você é sua praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema. Você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, a conversa séria que teve um dia com seu pai. Você é o que você lembra.

Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora. Você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas. Você é o que você chora.

Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa. Você é o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta. Você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta. Você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo. Você é o que você desnuda.

Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar. Você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá. Você é aquele que rema, que cansado não desiste. Você é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta. Você é o que você queima.

Você é aquilo que reinvidica, o que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta. Você é os direitos que tem, os deveres que se obriga. Você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca. Você é o que você pleiteia.

Você não é só o que come e o que veste. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê.

(Martha Medeiros)

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