18 maio 2011




Nada é para sempre... (Continuação)


Quando você o conheceu achou interessante o cabelo bagunçado, a mania de chicletes e a forma como ele dirigia o carro, sempre parecendo estar nas gravações de “Velozes e Furiosos”. Ele fazia todo mundo rir e parecia conhecer todo mundo. Levava você para todos os lugares e você adorava se sentir parte daquilo... Parte do dia dele.
De repente ele não era somente uma companhia agradável, ele havia se tornado o motivo pelo qual qualquer programa feito em sua presença se tornava o melhor. Era maravilhoso andar do lado dele, pois não havia um só momento que ele a soltava. Não eram necessárias palavras, com o olhar ele entendia o que você queria.
Ele ligava no meio da semana e no meio do dia também. Dava um jeito de se manter presente em qualquer coisa que você pudesse ter acesso. As conversas no MSN eram frequentes e ele parecia só ter atenção para você, no celular as ligações não tinham tempo determinado para acabar e quando você achava que nada mais podia surpreendê-la, ele arrumava um jeito de inventar!

Como mágica o príncipe resolveu virar sapo.

Você não consegue explicar em qual momento percebeu que mudanças haviam acontecido, mas classifica-las parecia ter se tornado seu “hobby” preferido, pois as citava com uma clareza incrível. Não havia mais romance e nem atenção exclusiva. Ele achava normal te excluir de programas que incluíam os amigos, não ligava para dizer que estava indo se “distrair”, e simplesmente agia como seu melhor amigo quando estava com a turma junto. Por outro lado, ele cobrava que você continuasse a mesma garota do inicio do namoro. Entretanto, você já havia se cansado de falar e reclamar. O melhor a fazer foi ignorar e praticar o desapego.

Parece fácil delimitar emoções, porém quando o sentimento é forte é quase impossível fazê-lo. Você tenta passar por cima dos erros, dos defeitos e das várias tentativas de irritá-la.
Consegue contar detalhadamente os diversos furos e mancadas que ele cometeu. Como no seu aniversário. A galera reunida na praia, em pleno verão, tentando improvisar um luau e o louco desiquilibrado do seu namorado, só se lembrava de que tinha álcool e o restante da turma pra fazer a festa, pois nem se lembrou de que era o seu aniversário. Complicado mesmo foi engolir o bêbado tentando te fazer sorrir, levando a crer que a chata e inconveniente naquele momento era você. Se você pudesse voltar no tempo deixava o cretino passando mal sozinho a noite toda...

Hoje, um ano depois, o aniversário de namoro de vocês chegou.
Como era de se esperar ele não se lembrou. Te ligou quase em cima da hora, avisando para você se arrumar pois iriam a uma festa. Você desliga o telefone com uma lágrima presa na garganta, mas se recusa chorar. Se arruma, coloca o perfume que mais gosta e faz uma maquiagem que te faz sentir saudades da época de solteira.
Ele para variar chega atrasado, para o carro e buzina... Antigamente ele descia do carro e te esperava em pé no portão, sempre com um elogio pronto na ponta da língua.
Você entra no carro, cumprimenta com um selinho e repleta de esperança no coração espera que ele se lembre do dia de hoje. Sim, ele lembrou!

- Parabéns!
- Oi?
- Ué? Hoje não é o dia do nosso aniversário de namoro?
- Sim!
- Então... Parabéns!
- Parabéns...
Foi assim, com esse diálogo que aconteceu a cena mais romântica da noite.

Depois foi fácil virar para o lado da janela e começar a contar até um milhão, torcendo para que nenhuma lágrima descesse e que o imbecil do seu lado tivesse uma concussão. Durante todo o trajeto ele continuou o seu antigo repertório de gracinhas e piadinhas, colocou uma música para não ser obrigado puxar assunto e etc.
Na festa, como já era padrão, ele preferia ficar do lado dos amigos, confraternizar com as outras meninas e de vez em quando olhar na sua direção. Você, também não ficava atrás, já havia se adaptado as novas condições e há algum tempo tinha aprendido a se divertir sozinha... Não contava mais com a presença dele para tentar te fazer sorrir. A sua felicidade voltava a ser responsabilidade somente sua. Como sempre deveria ter sido!

Naquela noite ele havia tomado uma decisão. Chamou para ir embora mais cedo e ainda sóbrio, o que te assustou um pouco. Manteve-se calado e em silêncio durante todo o caminho de volta para casa. Você tentava aliviar o clima dentro do carro, mas percebeu que nada adiantaria. Portanto, preferiu manter-se concentrada a não chorar ou lamentar. Os olhos dele vez ou outra procurava por uma reação sua, mas nada no mundo iria fazer com que você fraquejasse.
Ele terminou de maneira fria e definitiva. Você não ousou tentar fazê-lo mudar de ideia, porém há muito tempo tinha abandonado a armadura e agora chorava silenciosamente dentro do carro.

Ao invés de palavras, você fixou o olhar naquele rapaz que um dia te fez acreditar em milagres, no improvável e no irreal. Com um vazio concreto no coração, você desceu do carro, se despedindo do sonho. Mas com o peito cheio de paz, você sabia que agora ia começar a viver realidade que sempre desejou.


Tassya.

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Oi gente! Bom, é importante ressaltar que não tomei partido de nenhum lado, apenas transferi para o texto as versões que me foram contadas. Aproveito para informar que teremos “Cenas dos próximos capítulos”!
Beijo.

2 comentários:

Luz disse...

Hual, acho que vc fez um misto de tudo que já escutou, de tudo que já viveu. O seu texto é realmente lindo, me senti parte dele...

Parabénsss....

hual arrepiei mesmo!

A melhor para... a maquiagem de solteira!

Luz disse...

Hual, acho que vc fez um misto de tudo que já escutou, de tudo que já viveu. O seu texto é realmente lindo, me senti parte dele...

Parabénsss....

hual arrepiei mesmo!

A melhor para... a maquiagem de solteira