17 maio 2011




Nada é para sempre...


No começo ela é interessante, sensual e flexível. Você se surpreende em perceber que novamente está pensando em alguém, e fica impressionado quando sente saudades por apenas estarem alguns dias sem se ver. Ela telefona algumas vezes ao dia e isso não te incomoda, ao contrário, você também fica com vontade de ligar toda vez que pensa nela. Não existe programa entediante, cansativo ou desagradável, qualquer coisa que você sugerir, com certeza ela irá aceitar no ato! Ela é engraçada sem ser inconveniente, se veste adequadamente e o jeito que ela dança te deixa hipnotizado. O sorriso é sempre espontâneo e você não se recorda de ter escutado nenhuma gargalhada tão contagiante como a dela antes na vida. O modo como ela canta as músicas e olha para fora da janela do carro te faz crer que realmente aquela garota não existe.

Alguns meses se passam e você já está se perguntando por que resolveu oficializar o relacionamento. O verão está bombando, os amigos solteiros cheios de planos e você tendo que compatibilizar os finais de semana com a agenda dela. Você está doido pra encher a cara, correr feito doido na areia da praia e de quebra mergulhar de ponta no mar. Porém ela está regulando o álcool, controlando seus passos e perguntando a que horas a festa vai terminar. Você observa as outras meninas em volta e percebe que poderia estar mais bem acompanhado. Tenta arrancar sorrisos e salvar a noite, mas ela parece estar determinada a ficar emburrada e quem sabe até chorar. O grande problema é que você ainda gosta dela, por isso abraça forte a menina que antes era a melhor companheira do mundo e resolve, internamente, desculpá-la mais uma vez. Só mais essa vez...

Há um ano ela estaria falando alto dentro do carro, a mão dela estaria na sua coxa, os olhos não precisavam dos lábios para sorrir e o destino pouco importava, pois ela valorizada cada instante ao seu lado. Porém, hoje ela está sentada virada para a janela, com uma atenção muda e uma expressão vazia. Totalmente reclusa e indiferente a sua presença. Você tenta puxar conversa, mas ela está monossilábica e não demonstra nenhuma possibilidade de mudança. A sua vontade é dar meia volta e deixa-la em casa, mas você já sabe que ao fazer isso ela vai resolver falar e a noite com certeza vai acabar em discussão e brigas. O melhor então é ignorá-la e pensar na noite maravilhosa que você vai ter com o resto da turma.

Tudo parece no lugar quando ela não está ao seu lado, até ela parece agir da maneira com há qual um dia você foi apresentado a ela. De longe você percebe que ela sorri, canta, dança, mas se você é pego observando, ela dá um jeito de mudar a postura do corpo, esconder o sorriso e discretamente ficar de lado para você.

O que você fez de errado? O que aconteceu para dar errado? Cadê a garota que um dia você julgou ser a dos seus sonhos? A única coisa que você enxerga hoje é uma menina fresca, mimada, irritada, ciumenta, inconveniente, triste... Cadê os elogios? Cadê os pontos positivos?

Você decide chama-la para ir embora, a festa ainda está boa, a bebida tá rolando solta, mas é preciso acabar com isso logo. Ela te olha diferente como quem pressente que algo está para acontecer e dessa vez, definitivo! Vocês se dão as mãos, se despendem do pessoal e seguem calados para o carro. Durante todo o trajeto você deixa o silêncio dominar, tomar conta, nada de música alta pra aliviar o ambiente. Ela arrisca uns olhares para você, até comenta sobre a festa, mas desta vez quem não quer conversa é você.

O carro parece andar sozinho, como se já soubesse o caminho. Tudo tão normal, tudo tão superficial e rotineiro. E você que sempre achou que dessa vez a rotina não iria ser desculpa e nem motivo...

Agora é você que arrisca um olhar para ela, e percebe que ela está chorando ou quase. Prefere não comentar e nem consolar, o melhor ainda está por vir! A casa dela está logo em frente, mas você decide parar debaixo da árvore que um dia camuflou as madrugadas quentes dos dois. Desliga o carro e se vira para a menina que um dia sorria sapeca e pulava no seu colo. O silêncio continua e os olhares se prendem. Não existe paixão, somente tristeza.

Como começar?
- A culpa é minha...
- A culpa é sua...
- Nos erramos...
- Podia ter sido diferente...
Não importa como comece, a forma como irá terminar já está resolvido.

Ela desce do carro chorando e você vai embora com o rádio ligado. Não importa quem ela foi ou quem se tornou, você sabe que acabou de deixar para trás aquela que poderia ter sido...



Tassya.

Ps.: Texto inspirado na versão de um amigo sobre o término de seu namoro de 3 anos. No próximo post, teremos a versão da ex namorada. ;)

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