01 novembro 2010

Você lembra quem era você há um ano?


Plena segunda, véspera de feriado de finados e olha só, tá chovendo!
Eu diria que era bastante previsível, mas a vontade de ver um sol é tão forte que eu quase acredito que posso parar a chuva se eu contar até dez, com os olhos fechados e os dedos cruzados... Como num passe de mágica: Plin!
Há um ano eu não era assim... Não acreditava no improvável. Não confiava no tempo, e até achava que ele andava contra mim. Novembro foi o mês decisivo: Ou eu mergulhava fundo e me afogava, ou voava alto e vencia a gravidade que insistia em me empurrar para baixo.
Bem... Conseguem me ver daí de baixo?

Mudaram as estações e olha só o que eu descobri: Sou maior que acredito ser. Cabem tantas coisas em mim. Tantos sentimentos, contradições, certezas e lembranças, que eu ainda acho que engano o fita métrica... como pode caber tanta coisa em 1,60m?
Às vezes me esqueço disso, finjo que caibo no bolso de alguém e que se quiserem eu posso até acreditar nas mentiras que me contam. Mas é em momentos como o de hoje, quando eu olho para trás e lembro-me de tudo que já passei nessa vida, que percebo que não adianta eu burlar as regras. Eu cresci, aprendi, me machuquei, cicatrizou e estou aqui.
Há um ano eu era um caso a ser estudado. Os cabelos ainda eram castanhos naturais, mas opacos e sem brilho. O sorriso estava de férias e a paz tinha viajado para um país bem distante. Os olhos andavam marejados e com expressões de ansiedade e medo em suas linhas finas. O brilho não era ouro e sim, esperança. O ouro a que me refiro, é o mesmo que hoje eu guardo no coração e valorizo: Minha liberdade e minha verdade. O coração batia em ritmo descompassado, mas não era no mesmo tom que os dos apaixonados, e sim aquele ritmo cheio de angustia e dor que acomete os fracos temporários.
Fraca temporariamente... Ninguém é forte o tempo todo. A beleza mora na superação, na felicidade estampada no rosto, na paz no final do dia. Algo como se a vida ou sua própria consciência exigisse de você uma prova concreta de merecimento por toda aquela alegria que resolveu conquistar. Valorizar o que se conquistou hoje, lembrando o quanto foi difícil alcançá-lo.
Melhor do que se lembrar de quem você era é saber quem você é. Melhor do que não esquecer, é saber o porquê ás vezes as recordações batem à porta. Não é saudade, não é tristeza, não é nostalgia... A única razão que me faz lembrar é a mesma que hoje me faz sorrir: Paz de espírito e certeza que eu estou no comando da minha vida.  

Voando alto...
Tassya.

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