26 outubro 2010



“Diz, quanto custa o teu sorriso?”
Sinto informar, mas não está a venda.

Eu sou assim, não sei sorrir se tem lágrimas de tristezas presas em meus olhos. Não consigo fingir que o mundo é uma festa, que a angustia cabe em bolhas de sabão e como elas, simplesmente desaparecem. Não consigo mentir olhando nos olhos... Na verdade, não sei mentir.
Não sei ignorar pessoas que deveriam ser ignoradas, esquecer momentos que deveriam ficar esquecidos e seguir cantando uma bela canção...
Não sei não me importar. Se algo me incomoda, pode acreditar, vou dar valor aquilo e procurar superá-lo e não passar por cima. Eu sempre acredito que é nos momentos difíceis e conturbados, nos momentos de dúvidas e criticas que se esconde o meu amadurecimento.

Não estou aqui fazendo campanha do meu jeito de ser e nem dizendo que é assim que se vive... Não mesmo, longe de mim... Não sou tão boa assim.
Eu só acredito na teoria que eu acabei de inventar: O trator e o carro.

Os tratores são fortes, passam por cima de barreiras e empecilhos, sem se importar se estão deixando para trás destruição e restos. Porém são solitários, só cabe um passageiro e o vazio dentro deles. Não existe um radio para animar o dia/noite, só permanece o barulho insuportável que eles fazem por onde passam... Chamam atenção, mas nunca de um jeito bom. São tão brutos que ninguém chega muito perto, e não é por respeitá-los, mas sim por medo. Se acontecer algum defeito ou ele simplesmente não sair do lugar, me responde: Quem vai empurrar um trator?
Já os carros fazem mais o meu estilo, prefiro andar neles. Dentro de um carro cabem quantas pessoas você quiser, ou fizer caber... Com direito a músicas rolando no rádio, vidros abertos para entrar um ventinho, risadas e companhias.  Eles até podem passar por cima de quebra molas e buracos, vai sacudir tudo que tiver dentro, pode até machucar um pouquinho, talvez fure um pneu ou o carro dê um probleminha e pare de andar, mas por levar consigo muitos passageiros, sempre vai ter gente pra ajudar e mais alguns para torcer que tudo dê certo.

Eu prefiro ser um carro. Passar com cuidado ou até mesmo contornar os meus obstáculos. Sem precisar passar por cima de nada e ninguém. Sem evitar as lágrimas que surgirem no meio do caminho, tendo a certeza que se as minhas baterias acabarem ou meu motor cessar, sempre terá alguém do meu lado para ajudar na hora de levantar e/ou orar para eu melhorar. Quero levar muitas pessoas comigo, seja no coração, pensamentos, lembranças ou em busca do sucesso. Quero ser companhia agradável, segura e permanente.
Quero simplesmente poder seguir minha viagem tranqüila, levando comigo meus arranhões e cicatrizes, sabendo que sempre terá pessoas me esperando voltar, pessoas me esperando chegar e outras seguindo do meu lado, para onde quer que eu vá.

Vem comigo? 


Tassya.

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